O Senhor da Ilha Verde de Juvenal Rodrigues
O Senhor da Ilha Verde de Juvenal Rodrigues
Prefácio de Miguel Silva Gouveia (Presidente da Câmara Municipal do Funchal)
"Quando em 1976, na ressaca da Revolução de Abril, as históricas aspirações autonomistas dos madeirenses, encontraram acolhimento na Constituição, encetou-se uma nova era democrática na recém-criada Região Autónoma da Madeira, com a marcação de eleições livres e a tomada de posse do I Governo Regional da Madeira. Foi só em 1978, com a tomada de posse do II Governo Regional da Madeira, que se esfumaram as pretensões separatistas de algumas elites de direita, e se inicia um ‘regime político’ que viria a durar mais de 40 anos, na sombra de um desenvolvimento muitas vezes assimétrico, impositivo e financiado abundantemente com fundos europeus. Está criado o contexto para “O Senhor da Ilha Verde” de Juvenal Rodrigues. Se Orwell postulava que a escrita da História está reservada aos vencedores, então o autor desta obra, Juvenal Rodrigues, é sem margem para qualquer dúvida um vencedor. Para além das múltiplas funções que desempenhou, num percurso profissional edificado na humildade, competência e perseverança, as suas incursões literárias representam lanças de inconformismo apontadas às injustiças sociais, políticas e económicas. Sejam manifestadas em cartas do leitor à imprensa regional, em artigos de opinião ou em obras literárias como esta, o autor demonstra um espírito diligente e uma incapacidade em se resignar quando está em causa a democracia e os valores humanistas que centram a prioridade na dignidade de cada pessoa. Importa salvaguardar na memória colectiva as crónicas da viagem pelos expedientes utilizados por aqueles que proclamaram, “a Madeira será o que os madeirenses quiserem”, mas que acabaram por usar os madeirenses como utensílios na sua estratégia de poder, não se reprimindo de nos tratar como danos colaterais quando a vontade dos madeirenses divergia da sua. São obras como “O Senhor da Ilha Verde” que dificultam o sucesso a quaisquer tentativas de revisionismos com intuito de abrir caminho a segundas vagas de populismos e autoritarismos.”