Tudo me fica bem de Luís Pereira
Tudo me fica bem de Luís Pereira
"Breves e parvas dissertações sobre diversos assuntos, nomeadamente a minha filha, o meu pai, a minha mota, o meu carro, também sobre pessoas geralmente parvas, e sobre o meu joelho que prevê chuva."
Prefácio
Este livro é um livro escrito em Português. À partida, não tem erros ortográficos. Só por isso já merece ser lido. O título, quiçá a frase mais narcisista que já leram na capa de um livro, resulta de um hábito parvo que o autor tem de se autor retratar em situações de gosto duvidoso e publicar para que o seu grupo de amigos nas redes sociais possam perceber que, afinal, não são assim tão feios.
Mas, reparem, este fabuloso livro não é apenas escrito na Língua Portuguesa isenta de erros ortográficos. É uma obra escrita por um fulano incrível. Um gajo porreiro. Um sujeito com bom coração e com algum tempo livre que culminou em duzentas e tal páginas de lix…,perdão, literatura da boa. Na minha opinião, este é um livro que valorizará com o tempo. Leiam-no e guardem-no bem guardadinho numa instituição bancária, devidamente acomodado num saco de plástico em vácuo, para não amarelar as páginas.
O que dizer do autor do livro, meu Deus, o que dizer. Há tanta coisa para dizer que dava para fazer dois ou três prefácios. Já conheço o autor há muitos anos, há mais de quarenta e menos de quarenta e dois, sensivelmente.
Para começar, é Geólogo, que é a profissão do futuro. Hoje em dia são gajos pouco ou nada valorizados e extremamente mal pagos, motivo de chacota e escárnio, mas deixem começar a colonização de planetas e sistemas solares e vão ver o dinheiro e o prestígio que os Geólogos vão ganhar. Podemos considerar, por isso, que o autor é um fulano que nasceu no momento errado, e que por isso, talvez, lhe tenha dado para escrever um livro, em vez de andar a saltitar de corpo celeste em corpo celeste a desenterrar olivinas e piroxenas. Que foi, aliás, o que sempre cogitei que lhe iria acontecer. Das duas uma, ou ele escreveria um livro de crónicas, ou metia-se na droga.
Tive o privilégio de acompanhar o desenvolvimento deste livro maravilhoso. E de acompanhar o dia a dia do autor, um gajo que é muitointeligente, bonito, sensível, criativo, e bonito. Muito bonito, mesmo.
E criativo. Também inteligente. E sensível.
Demorou demasiado tempo a decidir expor os seus pensamentos ao público, na minha opinião. Deveria ter sido há já dois ou três anos, ou mesmo mais. Se fosse há quatro, talvez o Trump tivesse perdido as eleições. À altura em que escrevo este prefácio, perdeu mesmo.
Mas mais vale tarde do que nunca, e agora o livro está disponível para todos, a um preço simpático. Uma obra que tem tudo para se tornar um best-seller municipal, ou até mesmo regional.
O autor merece todo o sucesso do mundo. Um dia, lembro-me tão bem, estava uma idosa a passear num passeio que ladeava uma estrada movimentada, enquanto os carros passavam, perigosa e indiferentemente, a escassos centímetros dela. Sem hesitar, pegou no braço da idosa e ajudou-a a atravessar a estrada, impondo-se corajosamente aos carros, forçando-os a pararem, alguns, e a desviarem-se, outros. Uns chocaramcom outros, e outros despistaram-se e incendiaram-se. Mas a idosa chegou sã e salva ao outro lado da estrada.
Foi um momento mágico, sabem? Daqueles momentos que tocam as pessoas. A idosa chorava copiosamente, quando chegou ao outro lado da rua, e esbracejava muito, de tão emocionada que estava. O autor deste livro tentava abraçá-la e consolá-la, enquanto ela o esgadanhava no pescoço e na cara.
Quando finalmente conseguiu recompor-se e falar, agradeceu-lhe com um sentido “meu grande malandro, eu não queria atravessar a rua, palerma, até me deixaste o braço negro de tanto me puxar, meu bardina.”
Apercebi-me nesse instante de que ela estava a sofrer de um episódio agudo de demência. Aquele relampejar dos olhos não era de raiva e indignação. Era de gratidão e até, de amor e desejo. É assim, o autor deste livro. Muito boa pessoa, sensível, inteligente, bem parecido,e capaz de suscitar reacções viscerais nas pessoas das mais variadas faixas etárias.
Leiam o livro, é o melhor conselho que vos posso dar.
Atenciosamente,
Luís Pereira
(autor deste livro e apreciador de escrever na terceira pessoa)